THE FOLLOWING


Você provavelmente conhece a tetralogia Pânico, série de slashmovies, cujo assassino mascarado é sempre um mistério a ser desvendado e basicamente está ligado a uma moça chamada Sidney Prescott – e sua mãe.

Além disso, Pânico também brincava com a idéia de “assassino à solta” e filmes de terror e suas regras – o que, indiretamente, junto com Quentin Tarantino, definiu os filmes nos anos 1990.

Kevin Williamson criou, juntamente com o diretor Wes Craven, a série. Craven, já veterano nos filmes de terror, principalmente por seu Freddy Kruegger e A Hora do Pesadelo, e Williamson, o roteirista, na época, em início de carreira.

E que início--- Williamson roteirizou os dois primeiros Pânico, criou e roteirizou uma série irmã, Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado, além de Prova Final, dirigido por Robert Rodriguez, além de realizar o sonho de reinventar Michael Myers no excelente H20 – Halloween Vinte Anos Depois---.

 Em 1999, Williamson estreou como diretor com Tentação Fatal. O resultado, pelo visto, não foi o esperado, porque ele nunca mais dirigiu outro filme.

Pior: Pânico 3 apontava no horizonte, buscando fechar uma trilogia, principalmente porque o segundo episódio foi ainda superior ao primeiro em tudo – e os personagens brincavam com isso – em dado momento eles discutiam quando uma sequência foi superior ao primeiro. Williamson acabou sendo afastado da história porque ele e Wes Craven não chegaram a um acordo sobre os rumos que a história deveria seguir. Williamson queria uma volta às origens e Craven queria expandir a franquia. Venceu Craven. Mas Pânico 3 foi terrivelmente ruim.

Após criar a série adolescente de sucesso, Dawson’s Creek, Williamson retomou a parceria com Craven em Amaldiçoados, redefinindo filmes de lobisomem. Embora fosse uma outra idéia – algo sobrenatural, já que nesse caso, o “assassino” apareceria de acordo com a lua cheia – mas a trama era muito parecida com Pânico.

2011 marcou a volta de Pânico, com o quarto filme da série. Não me pergunte como foi porque eu assisti apenas ao início e já desisti. Achei tudo datado e incrivelmente chato.

Aí, você me pergunta então, por que diabos eu iria falar sobre Kevin Williamson, já que seus últimos projetos eram tão ruins. Bem, porque eu li uma entrevista com ele falando sobre The Following, uma série voltada para os assassinos em série. Mais: o grande assassino em série era um devoto de Edgar Allan Poe. Cara, aquilo tinha potencial.

Mais: Williamson queria que seu protagonista, um ex-agente do FBI fosse do naipe de Jack Bauer. Tinha tudo para dar certo.

E deu!

Primeiro, porque tinha um excelente vilão, um assassino travestido de professor universitário com uma louca obsessão em ser escritor de livros. Na verdade, ele se tornou professor porque seu livro não vendeu absolutamente nada. Isso o fez se afastar da esposa e do filho. Joe Carroll era um charmoso professor, que cativava as pessoas e levava suas vítimas para morrerem de forma lenta e dolorosa. Ele aprendeu com seu professor, o Doutor Arthur Strauss.
Joe, aliás, começou a ser mentor de jovens que tinham tal “talento” e precisavam de uma lapidação. Claro que, jovens desaparecidas em algum momento chamam atenção das autoridades. E isso aconteceu.
Um agente do FBI, Ryan Hardy, partiu para investigar tais desaparecimentos e acabou chegando à universidade em que Joe e sua então esposa Claire lecionavam.
Joe se tornou facilmente um suspeito e para não chamar muita atenção, Ryan decidiu se aproximar de Claire.
A aproximação se tornou algo mais e esse jogo de gato e rato virou um triângulo amoroso.
Joe conseguiu ainda enfiar uma faca no coração de Ryan, que só não morreu porque conseguiu ser salvo a tempo.
Joe foi preso. Claire pediu o divórcio e tudo levava a crer que ela ficaria com Ryan mesmo.
Ficaria.
Porque Joe foge da prisão e decide ir atrás de seu filho.
E é aí que tudo fica interessante, porque Joe se torna tão popular e é ajudado por muitos de seus seguidores [daí o nome da série] a desaparecer, a conseguir recursos, a se aproximar de Claire.

E o jogo começa novamente.

Claro que, ao final de quinze episódios, Ryan já está de saco cheio de Joe, diz na cara dele que ele é um péssimo escritor e despreza Edgar Allan Poe. Pronto: está montada a épica luta final.
Infelizmente, Joe consegue fugir, mas acaba se explodindo junto com um casebre e, para todos os efeitos, ele morreu.

Ryan fica com Claire, apesar de ter um vício por vodca a ser combatido. Além disso, durante toda a série ele entrou em conflito com o FBI em vários momentos e só conseguiu retomar seu trabalho de volta ao final, quando tudo ficou esclarecido e Joe Carroll morto.

A segunda temporada, claro, não foi diferente. Joe, antes de “morrer”, deixou uma surpresa final para Ryan. Uma de suas vizinhas era também uma seguidora de Joe e por isso se aproximou do agente caso fosse necessária uma intervenção. Ela consegue entrar no apartamento de Ryan e o esfaqueia, assim como a Claire.

Ryan passa metade da segunda temporada acreditando que Claire havia morrido.

Mas ela não morreu. Assim como Joe também não.

Ele volta, reagrupa os seus seguidores e começa tudo de novo, de modo diferente. Ele encontra um lugar interessante, uma espécie de cultuadores da morte e se realiza. Joe Carroll se torna o messias desse povo.

Ryan Hardy o encontra e eles voltam ao gato e rato.
Claire aparece para Joe e isso dá uma vantagem a Ryan. Joe, obcecado por Claire e o filho acaba indo para a prisão, muito provavelmente em direção ao corredor da morte.

Ryan então acredita que finalmente ficará com Claire. Mas ela não quer mais. Cansou. Decidiu recomeçar a vida sem nada daquilo.

O grande trunfo de Following é justamente o vilão: Joe Carroll, interpretado por James Purefoy carrega a série. Ele é instigante, é matreiro, é cínico, frio, interessante demais. Ryan Hardy é muito bem defendido por Kevin Bacon: bêbado, fora de forma, atira primeiro e pergunta depois, mentiroso e solitário de forma paranóica.
E apenas o equilíbrio entre os dois faz a série ser interessante.
E é essa a dificuldade que a segunda temporada tem, ao menos até os dois entrarem em cena. Quando estão, cada um a seu estilo, a série ganha muito. Quando Hardy tem que ir atrás de outros assassinos, tudo perde o fôlego. E aí haja personagens coadjuvantes sem serventia alguma.
Eu não sei exatamente o porquê de criarem um personagem como o agente novato Mike Weston, interpretado por Shawn Ashmore – o Homem de Gelo dos filmes dos X-Men. Mike é chato, sentimental e bobo, que apenas atrasa Ryan e o desenvolvimento da história. Na segunda temporada entra em cena Max, sobrinha de Ryan que, apesar de ser uma deusa, também só serve para encher lingüiça.
Pra piorar um pouco mais, ao final da segunda temporada, Kevin Williamson deixou a série, se dedicando a seu novo material, Stalking, ou algo assim.
Aí a coisa desandou de vez. Os assassinos em série surgiram aos montes, todos tão cruéis quanto ou piores que Joe Carroll. Resolveram arrumar um amor para Ryan e ele decidiu que tinha crise de consciência.
Que chatice!
Lá pelo oitavo episódio, Joe Caroll reapareceu. E a série voltou a ganhar fôlego.
Porém, ele vai para o corredor da morte. E morre. E se torna a consciência de Ryan.
Eu esqueci de dizer, mas Ryan não atirava primeiro e perguntava depois simplesmente por modo de agir; não. Ele também era um assassino. Tinha prazer em matar, assim como Joe Carroll, e tentava usar isso em favor do FBI.
Claro que, com a nova namorada, a sobrinha e Mike Weston seria impossível Ryan Hardy ser Ryan Hardy e o que poderia ser mais um jogo legal de gato e rato, se torna uma espécie de novela chorosa com alguns tiros.


Essa semana foi anunciado o cancelamento da série ao término de sua terceira temporada. Pudera! Não sobrou nada para contar. Infelizmente.

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