SOBRE A AUDIÊNCIA DA NOVELA DAS NOVE


Eu estava lendo esses dias sobre a audiência da finada novela global das nove, Em Família. Diziam que a coisa foi feia.
Bom, não posso dizer precisamente o porquê do desinteresse do público, já que o único capítulo que eu vi, foi exatamente o derradeiro. Mas confesso, tive que me esforçar, porque ruim daquele jeito, foram poucos os últimos capítulos.

Me lembro de um capítulo final horroroso; foi de uma minissérie chamada Labirinto – que parecia promissora, com uma canção-tema de Sheryll Crow, Antônio Fagundes como vilão e Malu Mader como garota de programa.
Não tinha como dar errado, né? Mas deu.
Porque o vilão, o cara que manipulou toda a situação e botou a culpa na espinha do injustiçado protagonista se mostrou com uma arma na mão. E mesmo, assim, bastava apertar o gatilho e acabar com tudo. Mas não; ele deixou o protagonista entrar no carro, desengrená-lo e jogá-lo pra cima dele. Resultado? O bandido morreu e todos viveram felizes.

Voltando a Em Família---
Diálogos sofríveis, interpretações preguiçosas e soluções clichês sem nenhum pingo de criatividade ou originalidade deram o tom na sexta-feira, 18/7/2014.

É bem provável que noventa e nove por cento do público que acompanhou a novela seja feminino, mas mesmo assim, poderia-se privá-las de tanto puxa-saquismo enfadonho e sem sentido por parte do autor.

Isso sem falar no didatismo das soluções – o destino do suposto “vilão” ser traçado cinco minutos antes, numa conversa totalmente ridícula – modo de pensar de algumas pessoas, que não se encaixam com sua faixa etária – como, por exemplo, uma criança se preocupar em ser feliz ou não, já que criança, mesmo triste está feliz, brincando, pulando e fazendo bagunça; a não ser que ela tenha 70 anos.

E aí se vê coisas que, tudo bem, na realidade pode até ser assim, mas seria mais positivo se passar certos valores.

Por exemplo, a personagem de Bruna Marquezine quis porque quis se casar com o primo da mãe, que quase se casou com ela; que enterrou o pai dela [Bruna], deixando-lhe uma cicatriz – sim, eu li sobre isso; e que além dela, ele andava pegando umas várias. Certo? Certo. Então, mesmo contra tudo e contra todos, Bruna se casou com o camarada. Aí ele morre. E, sei lá, um ano depois, ela já está flertando com outro cara e tudo bem?

Meu pensamento é que, caso algum dia eu venha a morrer, que a minha mulher fique triste, que mantenha a lembrança de nossos dias e tal. Seria legal, isso, uma forma de respeito. Mas não nessa novela. Nessa novela, morreu, bola pra frente, já pinta um novo cara na jogada.

Ahhh, mas a personagem merece ser feliz já que se livrou do “vilão”, você pode dizer. Uai, mas não era o que ela queria? Não é assim na vida real? Não há aquele ditado “cuidado com o que queres porque podes acabar conseguindo”?

Enfim, continuei lendo sobre a novela e descobri que o ator Gabriel Braga Nunes causou problemas durante as filmagens; que atrapalhava a concentração dos outros, irritava e chegou até a fazer o Humberto Martins perder a paciência.
Gabriel Braga sempre interpreta os personagens do mesmo jeito.

Me lembro de ter visto uma novela com ele, Cidadão Brasileiro, na Record, escrita por Lauro César Muniz. Uma boa novela, com uma trama muito interessante e elenco legal – acho que a melhor novela, em termos de produção e tal da Record. Gabriel Braga era o tal cidadão do título. Curiosamente era a mesma coisa nessa novela Em Família.

Já Humberto Martins me pareceu um tanto quanto perdido; devagar. Parece que Le bebia litros e litros de Maracujina para interpretar seu personagem. Muito ruim.

Quanto ao resto, é resto. Imagens de família unida, tudo muito bonito; todo mundo se acertando; todo mundo aceitando tudo da melhor maneira possível.

Se a TV quer mesmo discutir o seu futuro, talvez seja melhor discutir o seu conteúdo, porque é preciso que se faça algo mais próximo da realidade. Mesmo que seja com uma fábula, como é o caso de Meu Pedacinho de Chão, que mostra de uma forma até infantil, mas não didática, a arte da política, como a fofoca pode destruir as coisas e o mais mágico: a liberdade que se tem quando se sabe ler e escrever.


Abraço!

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