GALVÃO E OS APAGÕES


Você deve conhecer aquela famosa frase “Aqueles que não podem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”. Ela foi dita pelo filósofo espanhol George Santayana e é sempre usual ao se falar de Brasil.

Por quê?

Porque eis um povo sem memória, e que sempre está a celebrar o mais do mesmo.

Um célebre narrador esportivo, Galvão Bueno, sempre que se depara com um resultado atípico da grande seleção brasileira – trocando em miúdos, derrota vergonhosa - , trata logo de dizer que houve “pane”, “apagão”, “vamos passar uma borracha”.

Paixão demais? Ufanismo?

Veja só: em 2005, na Copa das Confederações na Alemanha, o Brasil, então treinado por Carlos Alberto Parreira, vinha de uma excelente fase, vencendo tudo – Copa América com reservas; eliminatórias de forma até fácil – e ali, foi criado o Quadrado Mágico [Ronaldinho, Kaká, Robinho e Adriano]. Tal quadrado funcionou tão bem que, ao pegar a Argentina na final, meteu uma goleada de 4 a 1.

Um ano depois, queda nas quartas de forma humilhante para a França. O que mudou de um ano para o outro? Apagão? Pane?

Talvez. Mas pode ser que: em 2005, o time era Dida, Cicinho, Roque Júnior, Lúcio e Gilberto; Gilberto Silva, Zé Roberto, Kaká e Ronaldinho; Robinho e Adriano.

Já na Copa, mudou um pouquinho: sai Cicinho e Gilberto, entram Cafu e Roberto Carlos; sai Robinho e entra Ronalducho. E aí, veio o desastre. O Brasil não jogou nada, caiu diante da França, e tudo o que pode ser “considerado” positivo, foram os recordes particulares de alguns jogadores. Ronalducho, por exemplo, se tornou o então maior goleador de todas as Copas [sendo ultrapassado agora pelo alemão Klose]; Cafu se tornou o recordista de participação em Copas do Mundo; e Roberto Carlos vinha com a esperança/expectativa de ser o novo capitão em 2010.


Apesar de um futebol ruim, a Seleção venceu todos os jogos da primeira fase [Croácia, Austrália e Japão] e também das Oitavas [Gana], caindo justamente quando pegou um oponente realmente forte. Aí foi um baile.

E lá veio o Galvão dizer que houve um “apagão” e o Brasil perdeu por detalhes.

Mesmo assim, a seleção brasileira encerrou sua participação na Copa na quinta posição.

Oito anos depois, a seleção brasileira encerra a sua participação na quarta colocação, também quebrando recordes: mais gols sofridos; goleiro mais vazado da história [juntando os gols de 2010]; cartão-amarelo mais rápido da competição; e, não sei, mas o único camisa 9 a fazer menos gols numa competição, com exceção de Samuel Eto’o.

Além disso, o famigerado “apagão” diante da Alemanha e os 7 a 1. Outro apagão e mais 3 a 0, caindo diante da Holanda.

Aí, na partida contra a Holanda, Galvão pergunta “é, Casagrande, faltou hoje o Neymar, né?”.
Casão, célebre, responde: “Pra te falar a verdade, Galvão, faltou muita coisa”.

Então, o resumo é esse. Sempre que o Brasil cair diante de qualquer adversário, o providencial apagão estará lá.


Que venha 2018!

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