CHORA ALAN MOORE OU CHORAMOS NÓS?


Saiu um preview do projeto que dá seguimento a Watchmen. 

Mas o que isso realmente quer dizer?

Bom, quer dizer que a DC está pouco se lixando para Alan Moore e pelo que ele diz ou pensa. 

Maravilha! Ela está certa. 

Mas, e os leitores? Também devem pensar assim?

“ahh, estou fora disso, sou só um leitor, só quero ler...”

Lembro-me de um filme de 1997, chamado Jerry Maguire – A Grande Virada, estrelado por Tom Cruise, no qual ele interpreta o personagem-título, um agente esportivo que, numa ponderação de consciência, percebe que é impossível cuidar [leia-se ser babá] da carreira de muitos atletas de forma bem sucedida. No meio da noite, ele escreve um memorando e deixa uma cópia para cada funcionário da empresa, na qual trabalha. Nem é preciso dizer que ele acaba sendo demitido, mas não se dá por vencido e tenta manter alguns de seus clientes, como agente independente mesmo.

Um deles, grande promessa do futebol americano, Frank Cushman, cujo empresário é seu próprio pai, lhe dá todas as garantias de que irá continuar com ele, Maguire, num diálogo no qual o pai diz “minha palavra é mais forte que o carvalho.” Maguire sai aliviado da reunião, porém descobre logo depois que o atleta e o pai assinaram contrato com a ex-empresa do agente. Qual a justificativa? “ahhh, estou fora disso, sou só um atelta, só quero jogar futebol.” Diz Cushman, com expressão de Ronaldinho Gaúcho em sua entrevista no Fantástico.

Alan Moore escreveu Watchmen e ela saiu do jeito que saiu por vários motivos, não exatamente por mérito do escritor barbudo. Dave Gibbons, que também é escritor, teve muitos méritos, como propor a série em 12 partes – Moore queria em seis.

E do jeito que acabou, embora dê margem para uma sequência, é impossível de se pensar em retornar naquele terreno [Frank Miller resolveu fazer uma revisita ao Cavaleiro das Trevas e eu não preciso dizer o quanto ele estragou a própria obra]. É como termos uma continuação de 2001: uma Odisséia no Espaço [Sim, eu sei que houve 2010: O Ano Em Que Faremos Contato, mas alguém se lembra?] ou Um Estranho no Ninho, ou até mesmo Miami Vice. Ta bom do jeito que está.

Agora, quando uma editora decide mexer em algo que até hoje faz sucesso, que não precisa de muletas [como Before Watchmen], por puramente ganância, e os leitores ainda compram a idéia, aí fica complicado. Você leu aquela saga do Homem-Aranha, Um Dia a Mais? Eu li por pura curiosidade mórbida e te digo: é horrível.

Quer dizer, qual o problema do Aranha estar casado? O que o impede de ser o personagem que todos nós conhecemos e gostamos? “ahhh, ele não tem mais aquela fleuma de estudante, na qual Stan Lee e Steve Ditko criaram. Perdeu a graça.” Balela! Peter Parker é legal porque é legal, pura e simplesmente. Uma das melhores histórias do Aranha que eu li, foi escrita por Roger Stern e desenhada por John Romita Jr, chamada Opções, na qual Parker decide largar os estudos porque tem que ajudar financeiramente a sua tia e pelo fato de sua então namorada, Gata Negra, estar internada num hospital [após ter tomado uma surra federal do Dr. Octopus] e a conta ficaria muito cara. As considerações dele a respeito de tudo, sua forma adulta e responsável de encarar certas coisas me fazem guardar na memória essa HQ.

Fazer uma história boa independe do status quo do personagem. Vide o Justiceiro. Já transformaram ele em Frankenstein, em mulher, em afroamericano, e até em seu nêmesis, Retalho. Mas nada funcionava. Bastou trazerem um roteirista bom o suficiente para entender que Frank Castle na verdade é uma força da natureza que só sabe matar e pronto, tínhamos um campeão de vendas. De quem eu falo? Ora, Garth Ennis.
Mas voltando a Um Dia a Mais. Acabaram com o casamento do Aranha da forma mais idiota e anticatólica possível. E todo mundo “engoliu”. Quer dizer, Mefisto tem o poder de fazer tudo aquilo, mas não consegue dominar o mundo? Ridículo.

E qual o preço que ele cobra? Uma filha não nascida deles.

Cara, quantas pessoas têm filhos aos montes por aí, às vezes até morrem alguns, e a vida continua. Agora, por que um cara milenar como Mefisto iria querer o “amor de Peter e Mary Jane?” ou o fruto desse amor? Pra rir da cara deles por alguns segundos?

Mefisto tem coisas maiores para se preocupar. Como a alma do Surfista Prateado por exemplo.

Enfim, nós, leitores estamos chorando. 

Não, Alan Moore, que escreveu sua história e ela se mantém aí, firme e forte, longe de qualquer dúvida.

E a DC, assim como a Marvel, continuará ganhando sua grana, requentando idéias, violentando personagens, e alienando leitores por mais algumas décadas.

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