ENTREVISTA COM TONY FERNANDES - PARTE 1

Ele começou sua carreira como roteirista na revista do Pato Donald, em 1973.

De lá pra cá, não parou mais de publicar. Como o próprio diz, ele é um dos autores que mais publicaram no Brasil.

A maioria de seus personagens está gravada na memória coletiva dos quadrinhos.

Decidiu virar o jogo e abrir sua própria editora após sofrer muito com as outras. Mas nem por isso, as coisas lhe foram fáceis ou os desafios diminuíram, como ele mesmo conta na entrevista logo abaixo.

Estou falando de Tony Fernandes, cérebro por trás de Fantasticman, Fantasma Negro e Apache, western escrito e desenhado por ele, chegando à quinta edição, sob o selo da Editora As Américas.

Dividirei esse bate-papo em três partes, ok? Segue abaixo a primeira...


Fala, Tony, tudo bem? Queria bater um papo contigo sobre a Apache e como está sendo a repercussão em torno dessa revista.
Sem problema, Vagnão! Podemos falar já... A repercussão está ótima e está no prelo mais duas edições: a 5 e a 6, com anunciante na quarta capa, finalmente. Isto ajuda a minimiza custos e ajuda bastante. Ontem comecei a escrever os novso roteiros. Enfim, estamos na briga... parece que Manitu está protegendo nossa guerreira...

Fico feliz em saber. E a distribuição, como está sendo? Brasil todo?
capa de Apache # 4
Sim, Vagner... teoricamente a distribuição é para todo o país, pela [Fernando] Chinaglia... mas, você sabe como isso funciona... em certas regiões distantes nem chega... coloquei um preview da próxima edição [de número 5] no blog [clique aqui para ir à página do preview]  http:tonyfernandespegasus.blogspot.com.

Veja... estamos conquistando público gradativamente, mas a revista ainda é muito nova. Entregamos as edições # 5 e 6 até o momento. Uma revista, hoje em dia, só se firma no mercado, lá pela edição # 10 ou 12! Não há marketing agressivo, como tv, rádio, etc. Muita gente ainda nem sabe que ela existe. Mas, aos poucos, acabam descobrindo.

Na conjuntura atual - devido ao excesso de produtos nas bancas e a falta de investimento em mídia -, dificilmente um produto pega logo na primeira edição, mesmo que ele seja de alto nível (que não é o nosso caso). Isto só pode acontecer por um milagre... (Rss...). Daí, você tem que ficar investindo, até chegar lá... esse é um processo lento, que requer investimento financeiro contínuo e nem todo editor aposta nessa fórmula maluca...

página de Apache # 5
Por enquanto, estamos aí... até quando? Quem pode saber? Se a distribuidora, de repente, mandar parar a gente tem que parar, sem discussão, e criar outro produto a toque de caixa, se quisermos nos manter nas bancas. Estamos sempre na corda bamba, bengala friend. essa é que é a verdade.
Mas, isto é normal e acontece em qualquer parte do mundo.

De qualquer forma, a Editora As Américas e nós estamos fazendo história. Raramente um produto nacional passa da edição # 2 ou 3. Já estamos no lucro, cowboy! (Rsss...) A batalha continua.



Fico feliz por isso. Se já estão chegando na quinta e sexta edições, é sinal que, gradativamente, o público vem aceitando, porque existe aquela máxima de que o número um sempre vem bem; a partir do segundo, os números caem bastante, certo? E em relação à parceria com a Editora, você arca com toda parte financeira e a editora com o selo, ou é meio-a-meio? Como funciona?
Geralmente é isso que acontece, Vagner. A edição # 1, nego compra por curiosidade e depois a coisa começa a despencar, contrariando a tendência normal, que seria aumentar as vendas.


Antigamente em São Paulo, haviam alguns editores que ficaram famosos, pois só lançavam números "uns"... diziam que só a edição # 1 vendia.
Mas, a coisa não pode ser bem por aí... não faz sentido, a não ser que o leitor odeie o produto, se decepcione...


Nossa parceria é simples: estamos apostando no produto até pegar, nos conformando em investir, divulgar e obter pequenos lucros por um determinado tempo... mas, tá melhorando...


amanhã...


"Se o leitor não compra a revista, ela morre na praia e você, autor, não tem tempo pra estudar e se adaptar à nova série.


Toda nova série requer tempo pra adaptação, principalmente, western. Nego que tá acostumado a desenhar heróis bombados se rala todo pra fazer faroeste."

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