20 ANOS ATRÁS...

Tudo começou com a Turma da Pesada.

Em 1990, eu chegava a uma nova escola, com novos desafios pela frente.

Era a 7ªMB.

Praticamente não conhecia ninguém, exceto um cara e uma menina. O rapaz, eu conhecia porque o pai dele e o meu, eram amigos. Já a menina, eu conheci numa festa junina [!} uma semana antes de mudar de escola.

O nome dele era Everson, mas todos o chamavam de Biro. O dela, Vlaudeline.

Rapidamente, Biro e eu nos tornamos grandes amigos. Mas detalhe: todos os outros alunos da escola tinham medo dele. Porque em meio a tantos moleques – eu inclusive – ele era um rapaz já. Respeitado pelos meninos e desejado pelas meninas.

Como eu nunca liguei para isso, pra mim ele era um cara normal, e por tratá-lo de forma normal, os outros moleques passaram a me respeitar também.

Às sextas-feiras, faziamos educação fisica com a 7ªMC. Você pode então concluir que havia uma rixa entre ambas as turmas. E orgulho em dizer que nunca perdemos no futebol para eles.

Isso porque, anos depois, saiu da 7ªC, um jogador profissional. Nós o chamávamos de Paraíba e na época de nossas disputas, ele nem jogava tão bem. Anos depois, porém, tive o privilégio de vê-lo jogando e confesso que fiquei impressionado com sua técnica.

Infelizmente, uma fratura no joelho abreviou sua carreira e hoje Paraíba é professor de educação física numa escola de São Paulo.

UM CAPÍTULO À PARTE

O tempo passou e eu já estava ambientado, fazia parte da turma.

A movimentação se dava pelas eleições na sala para presidente. Acabei me candidatando. Biro também, incentivado pelo professor de poruguês, assim como outras pessoas que não me lembro agora. Uma garota também lançou seu nome: Luciana, cujo irmão gêmeo, de nome Luciano também estudava conosco. O engraçado é que ela sentava num lado sala e ele do outro.

Na época eu desenhava e resolvi ilustrar alguns “santinhos” dos candidatos. Meus, inclusive.

Um desses meus santinhos, com meu rosto desenhado por mim mesmo passeou pela sala e fatalmente voltou às minhas mãos. Mas não da forma que eu o enviei. Minha ilustra voltou com a adesão de um par de chifres, feitos a lápis.

Fiquei possesso. E resolvi tirar satisfações com o autor da obra.

Descobrindo de quem se tratava, fiquei em pé à sua frente e proferindo ameaças, ainda lhe agredi com um soco no braço.

O responsável pela obra era ninguém menos que Anderson Cossa, o criador do Rui e grande artista do traço.

Mal eu poderia prever que aquele cara se tornaria como um irmão para mim. Coisas da vida, como dizem.

Ao final da eleição, Luciana, se não me engano, sagrou-se presidente, com Biro como vice.

Aconteciam tantas coisas incomuns com aquela turma que ousei criar minha primeira HQ. Peguei algumas folhas de sulfite, dobrei no meio e botei dois grampos. E parti pro desenho e história.

Confesso que não deve ter ficado lá grandes coisas, mas o pessoal aprovou. E virou meio que uma tradição. Poir no ano seguinte, o título Turma da Pesada continuou, mesmo com outros personagens.

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