A ARTE DA VIDA - PARTE 1


A melhor parte de ser pai é que você meio que se torna Leslie Nielsen para seus filhos.

Pra eles, ninguém é mais engraçado que você.

E eu penso no quanto sou sem-graça no dia-a-dia.

Sempre tive um parceiro das festas, da bagunça e das bebedeiras: Anderson Cossa. Cossa é um cara engraçado. Sempre foi.

Uma vez eu perguntei se ele se achava normal. "Claro", ele disse, sem pestanejar.

Noutra ocasião, ele lamentou: "cara, como é difícil ser a única pessoa ponderada e equilibrada no meio de tanta gente louca". Eu ri muito. O pior é que na ocasião, ele me incluiu na ala dos loucos.

Mas citei o Cossa só para o assunto render um pouco.

Geralmente não sou engraçado. Muito menos consigo empolgar alguém a assistir a uma comédia que achei muito engraçada. Porque os momentos engraçados pra mim acabam se tornando torturantes para meus ouvintes, já que não sei ser engraçado, como já disse.

Mas suspeito que minha filha me ache engraçado. Tento ser.

Com ela, eu meio que crio um personagem e vou fazendo minhas palhaçadas. E às vezes ela ri [já chegou a gargalhar] e às vezes não. Ninguém é perfeito. E como disse Michael Caine uma vez: "fazer comédia é como pular de paraquedas; por mais precaução que tome, você nunca sabe o que pode acontecer até o final."

Bom, o personagem que eu visto é inspirado em meu tio, irmão mais novo de minha mãe. Hoje, ele tem, sei lá, 45 anos. Mas quando eu era bem pequeno, ele era o cara mais engraçado que eu já tinha visto. Fazia palhaçada sobre qualquer coisa. Uma vez, ele raspou a cabeça por motivos que até hoje eu não sei - mas nos anos 80 não era comum alguém raspar a cabeça, salvo punks e/ou soldados - e aquilo, ao invés de se tornar um fardo, virou uma ferramenta para fazer humor.

Fora quando ele brincava de "vender o porquinho". 
 - Quem quer comprar um porquinho? - ele dizia, transitando pela vizinhança, com um porquinho no ombro. O porquinho na ocasião era eu, com uns seis anos.

Essa brincadeira do "porquinho" já fiz com a minha filha e, confesso, é interessante. Ambos acabam se divertindo.

Acho que ser pai é como tocar numa banda - mas sem a parte das fãs gostosas e a grana que entra - não é exatamente uma profissão ou função. É uma festa. Que tem seus bons momentos, sua parte chata. E os ótimos momentos, quando tudo vai bem.

Uma vez perguntaram a John Travolta o que ele havia aprendido com seu filho, Jet - que infelizmente faleceu recentemente. "Tanta coisa", ele disse. "Aprendi a ver as coisas pelo ponto de vista de outra pessoa".

E é exatamente isso: você aprende a ser zeloso e não se levar tanto a sério. E também vê que a escola é uma droga, que não ajuda em nada. Porque a bem da verdade mesmo, escola só serve para segurar as crianças no horário estabelecido.

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