REMINISCÊNCIAS

Nunca conheci meu pai.

Antes de eu nascer, ele, com a velha desculpa de ir comprar cigarro, saiu e nunca mais voltou.

Nunca tive a oprtunidade de amá-lo. Minha mãe não permitiu. Mas eu pareço com ele. Na fisionomia.

Embora minha mãe diga que eu a trato como ele a tratava. Mas como vou saber? Nem cheguei a trocar uma palavra com ele...

Às vezes penso que ela me olha e o vê. E me odeia por isso. E me culpa por ele ter-nos abandonado. Como se eu fosse o filho de um estupro.

Uma vez, um amigo bem mais velho, me disse que, ao final da vida, possivelmente meu pai aparecerá. E minha mãe ainda cuidará dele. Na ocasião, quase lhe dei um soco no nariz.

Mas eu era novo na época. Hoje penso diferente.

Se estivesse tudo bem pra ela, pra mim também estaria.

Entretanto, será que mudei o pensamento porque entendi um pouco mais sobre a vida ou por querer passar minha mãe adiante?

Ou considero que ela ainda o ama?

Mas o que é o amor, afinal?

Um verbo?

Um sentimento?

Um estilo de vida?

Se sou tão parecido com ele, como ela diz, estarei eu fadado a cometer os mesmos erros?

Mas como, se eu sequer fumo?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A ARTE DE JOSÉ LUIS GARCÍA-LÓPEZ

ELLEN ROCHE COMO LARA CROFT

ME SENTINDO COMO VAL KILMER - 2