O QUE O FUTURO NOS RESERVA...



Tragédias como a que ocorreu [está ocorrendo] no Rio de Janeiro, estão se tornando rotina na vida de quem acompanha [não de quem sofre] os telejornais, no Brasil.

Em 2008, foi Santa Catarina; ano passado, São Paulo; agora, o Rio. Fora outras regiões que também apanharam muito da natureza recentemente.

Todos dizem que são tragédias anunciadas. Mas se são anunciadas, por que ninguém faz nada?

Só avisam?

Não há o que fazer?

Eu moro no Paraná e a cidade próxima à minha é uma das mais importantes do estado. Tem aproximadamente 500 mil habitantes.

Porém, se alaga ao menor sinal de chuva.

Dizem que a cidade não foi planejada para tamanho crescimento. Não tem estrutura.

Penso que se uma chuva como essa, cair nessa cidade, o mesmo caos acontecerá.

E tenho absoluta certeza de que muitos de seus habitantes concordam comigo. Mas acabam fechando os olhos e continuam a viver sem muito "desgaste".

Não quero transformar tragédias em palanques, mas penso em como podemos crescer como nação, nos tornarmos um país desenvolvido - uma quinta potência mundial - se ao cair da chuva, centenas de vidas são ceifadas dessa maneira?

Você que lê esse meu texto, peço que feche os olhos e por apenas cinco segundos pense em toda a sua vida; na importância que é estar aqui, para você. Na diferença que você faz para seus pares. E o quanto isso tudo pode acabar numa "tragédia anunciada" como essa.

Em 2008, após a tragédia em Santa Catarina, eu escrevi um roteiro de Val, numa espécie de "homenagem" [bem ao estilo do personagem] às vítimas do clima.

Infelizmente a história acabou não sendo desenhada, mas resolvi postá-la aqui para você conhecer.

Segue abaixo...

Visão geral da situação (cidade alagada). Aproximando-se, vemos a destruição de perto. Numa das casas - que já está praticamente toda embaixo d'agua, com toneladas de madeira segurando-a pra baixo – um casal de idosos tenta, em vão, sair.

- Não dá. – diz a esposa. – Há muito lixo por cima.

- Acho que acaba aqui. – diz o marido.

Eles praticamente já entregam os pontos, quando ouvem um barulho vindo de cima.

- Bem, vamos juntos, como sempre fomos. – completa ela.

Seguram um na mão do outro, já aguardando o fim, quando, pela fissura aberta por um soldado do corpo de Bombeiros, este estica a mão e lhes pede rapidez.

- Boa tarde, quem quer sair primeiro?

Lá por cima, já com o casal a salvo, em cima de uma lage, os soldados veem passar por eles, um bote da defesa civil, com diversos voluntários. Um dos voluntários (um afrodescendente, de cavanhaque) comenta com outro (meio índio) a força que todos estão dando.

- Esse pessoal chegou na hora certa, héin?

- É.

- Mas, e aquele cara ali? – o afrodescendente aponta com o polegar para trás.

- Ele? – o meio índio, se referindo a Val, que está no fundão, com um copo de vodca na mão, e meio alheio a tudo. – Ahn... eu tou desconfiado que ele foi trazido pela chuvarada.

E Val, meio "baqueado" com a bebida, todo encharcado e sujo, pergunta: - Ahn... aqui é a Ilha de Lost?

- Rapaz... – diz o afrodescendente - ...essa chuva traz cada coisa, héin?

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