O Doloroso Processo de Transportar uma HQ pros Cinemas

Sei que esse é um assunto complicado, batido e até chato. Mas devido às últimas produções cinematográficas baseadas em HQs, acredito que ainda há espaço para bons debates.
Muita gente acredita que não há como agradar aos fãs de quadrinhos e é impossível ser fiel quando muda-se a mídia.

Perdoem-me essas pessoas, mas acredito que não é por aí.

Um grande exemplo é Superman, o Filme, de 1978. A produção fora problemática, tinha um diretor quase estreante – antes havia feito ‘apenas’ a trilogia A Profecia – (e fora demitido durante as filmagens, já que Superman I e II foram filmados conjuntamente), Richard Donner (hoje mais conhecido como diretor da tetralogia Máquina Mortífera), um casal de protagonistas desconhecido – Christopher Reeve e Margot Kidder - e dois astros; um como vilão, Gene Hackman, outro, numa participação muito especial e tendo seu nome encabeçando o elenco, Marlon Brando. O roteiro não era fiel às HQs. Pra você ter uma idéia, o seriado Smallville, dadas as devidas proporções é mais fiel ao Super-Homem daquela época do que o filme.
Na época, antes de ser Super-Homem, o Homem de Aço fora Menino de Aço, ou Superboy. Na adolescência era amigo de Lex Luthor e ambos só vieram a ser antagonistas quando, numa briga com um vilão, Superboy causou acidentalmente a queda definitiva de cabelos de Lex. A idéia de ambos se encontrarem e se confrontarem apenas quando adultos partiu primeiramente do filme. E só veio a ser inserida nos quadrinhos, anos mais tarde, quando a DC resolveu reinventar todos os seus personagens. Para reimaginar o Super, a DC apostou em John Byrne que, na época, reconheceu ter gostado muito da forma que Gene Hackman interpretou o vilão e pela idéia de o único motivo dele odiar o Super é simplesmente... inveja!

Outro caso de sucesso é Batman Begins. Com um elenco de primeira, diretor competente e roteiro afiado, a Warner (pra quem não sabe, detentora dos direitos dos personagens e dona da DC) acertou novamente, fazendo os fãs nem se importarem com várias mudanças na cronologia do herói. Ano que vem, com certeza, veremos outro bom filme do Homem-Morcego.

Homem de Ferro... embora tenha um bom elenco (uma vencedora de Oscar e três indicados), um diretor que passe segurança e participações especiais de Samuel L Jackson e Hilary Swank, ainda não me convenci de que o filme será bom. Mesmo assim, sem ler sequer uma linha do roteiro, tenho absoluta certeza de que será melhor que Motoqueiro Fantasma, Quarteto Fantástico 1 e 2, Demolidor, Elektra, Mulher-Gato e Superman – O Retorno. Por que? Porque é humanamente impossível fazer algo pior!!!

O duro é que o primeiro filme do Quarteto e Motoqueiro Fantasma tiveram relativos êxitos nas bilheterias. Mas Nicolas Cage (astro de Motoqueiro) já ficou esperto e não virá para a seqüência. Provavelmente, ele reconheceu a qualidade do longa. Já Quarteto Fantástico é bobo. E a seqüência, Quarteto Fantástico e Surfista Prateado, consegue ser mais boba ainda. Seus (d)efeitos especiais envergonham qualquer um – os caras torraram 100 milhões de dólares nisso!!!!! – e as saídas usadas para certas ‘dificuldades’ de roteiro são fáceis demais. As formas que usaram para capturar o Surfista Prateado e livrarem-se de Galactus (se é que podemos chamar “aquilo” de Galactus) foram muito infelizes.
Então, chegamos a Watchmen, que muitos acreditam ser a melhor HQ de todos os tempos. O filme, que se pode dizer, mais esperado do ano (que vem), começou muito promissor. Mas já começa a dar sinais de ser mais uma produção canhestra. Antes de estar sob a batuta de Zack Snider (diretor de 300), quem iria dirigi-lo era Paul Greengrass (A Supremacia Bourne, Vôo United 193 e o vindouro Ultimato Bourne). Greengrass chegou a ‘rascunhar’ seu elenco. Ele imaginava ter John Cusack como Coruja, Hilary Swank como Espectral e Jude Law como Ozymandias. Há tempos, Law se oferece para encarnar o Homem Mais Esperto do Mundo; recentemente, perguntado se toparia interpretar Dan Dreiberg, alter-ego de Coruja, Cusack disse que adoraria. Porém, nem um, nem outro virão. E a duplamente vencedora do Oscar de melhor atriz, Hilary Swank fora substituída por uma ex-modelo sueca, Malin Akerman, no papel de Espectral. Tudo bem, a garota (essa gostosura acima) é um espetáculo de beleza, mas será que ela consegue injetar mais dinamismo e realidade à personagem que Hilary Swank?! Logo saberemos porque as filmagens estão prestes a começar.

Muitos criticam Alan Moore porque ele não quer nem ouvir falar em adaptações de suas
obras, mas eu concordo com ele. Basta ler a saga V de Vingança e logo depois assistir ao filme. Os irmãos Wachowski e Joel Silver (produtores) conseguem fazer um filme bacana, mas derrapam em muitos detalhes bobos que não influenciariam tanto, não fosse o final. Ah, aquele final ficou evidente que fora construído para promover o ‘talento’ de Natalie Portman.

Estou pensando seriamente em desistir de assistir a filmes baseados em quadrinhos. Com exceção do novo Batman e, por uma mórbida curiosidade, Watchmen, acredito que não assistirei a mais nada desse gênero. Porém, se Watchmen me “calar a boca”, quem sabe eu não escrevo um texto elogiando Zack Snider?

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